Prevenção

Prevenção na saúde pública

Vivemos hoje numa época de grandes avanços tecnológicos com expressão nas mais diversas áreas de interesse humano incluindo a medicina e o lazer.

As gerações que vivem hoje usufruem por isso de mais confortos e conveniências comparativamente com qualquer geração anterior. Apesar disso estas são também as gerações que apresentam os níveis mais altos de insatisfação, depressão, stress e ansiedade expressos sob várias formas de alienação e patologias de comportamento.

De acordo com os dados produzidos em inúmeros estudos, os distúrbios mentais de raiz emocional, quer como causas ou efeito de outras doenças representam uma preocupação crescente dos estados e organizações de saúde ao ponto da Organização mundial de Saúde (OMS) recomendar novas formas de prevenção e acompanhamento.

A depressão por exemplo tem um grande peso no fardo global de custos com as doenças, ficando em 3º lugar em termos globais, em 8º lugar nos países de rendimento baixo, e em 1º lugar nos países desenvolvidos (World Health Organization, 2008, p. 53)

Num estudo efetuado pela OMS em 2001, estimou-se que 450 milhões de pessoas no mundo sejam portadoras de um tipo de doença mental afetando cerca de 1 em cada 4 pessoas, colocando os transtornos mentais como ansiedade, depressão, ataques de pânico e fobia social entre as principais causas de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo (World Health Organization, 2013)

A prevalência dos transtornos mentais na Região Europeia em 2015 foi de 110 milhões, equivalente a 12% de toda a população Estima-se que 1 em cada 4 pessoas no mundo sejam portadoras de um distúrbio emocional.

Uma das grandes preocupações relacionadas com os distúrbios mentais de raíz emocional tem a ver com as evidencias de vários estudos que demonstram não só as suas características mas também o facto de promoverem complicações de saúde adicionais, como sugerem os indícios encontrados nas mudanças fisiológicas observadas em pessoas com depressão.

A inflamação crónica, alterações no controle da frequência cardíaca e circulação sanguínea, mudanças nas hormonas de stress e alterações metabólicas típicas de pessoas com risco de diabetes são alguns exemplos (“NIMH » Chronic Illness & Mental Health,” n.d.) Outro tipo de dados recolhidos em estudos epidemiológicos relacionam os distúrbios mentais com o modo como se processa o aparecimento, desenvolvimento e tratamento de várias doenças crónicas como doenças cardiovasculares, diabetes, depressão, cancro e obesidade (Health & Disease, 2010, p. 2)

Nas doenças cardiovasculares

Para pessoas com doença cardíaca, a depressão pode aumentar o risco de um ataque cardíaco ou a formação de coágulos sanguíneos.

Um estudo realizado mostrou que a presença contínua de depressão aumentou o risco de morte para 17% até 6 meses após um ataque cardíaco contra 3% de mortalidade em pacientes com ataque cardíaco que não tinham depressão. A depressão foi comprovada ser um fator de risco em doenças cardíacas tão grande que a American Heart Association (AHA) recomenda que se faça o rastreio de depressão a todos os pacientes cardíacos (World Psychiatric Association, 2011, pp. 1–2)

Na diabetes

A depressão aumenta o risco de mortalidade em pessoas com diabetes em 30% As pessoas que têm diabetes e depressão têm sintomas mais graves de ambas as doenças, taxas mais altas de incapacidade de trabalho e usam mais serviços médicos do que aquelas que têm apenas diabetes. Estudos sugerem que a depressão aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 em mais de 20% em jovens adultos. A depressão pode levar a más decisões de estilo de vida como alimentação pouco saudável, falta de exercício, tabagismo, abuso de álcool e aumento de peso. Todos estes são fatores de risco para o diabetes e dificultam o controle dos níveis de açúcar. A relação entre diabetes e depressão não é bem compreendida. No entanto, seja uma causa ou um efeito, a combinação de diabetes e depressão pode ser fatal. As interações entre diabetes e depressão tornam cada doença mais difícil de controlar (Johnson, 2008, pp. 11–14)

No cancro

O reconhecimento e o tratamento da depressão em pacientes com cancro podem melhorar a qualidade de vida e ajudar pacientes e familiares a aproveitar ao máximo o tempo que permanecem juntos. Como os pacientes frequentemente tem relutância em descrever os seus sintomas depressivos, os cuidadores precisam conhecer os sintomas da depressão. As taxas de mortalidade são até 25% mais altas em pacientes com cancro que se sentiram deprimidos e 39% mais altos em pacientes com cancro que receberam um diagnóstico de depressão (Johnson, 2008, pp. 15–18).

Na obesidade

A depressão e ansiedade estão associadas a comportamentos insalubres, como má alimentação, inatividade física e sedentarismo, uso de tabaco e consumo Instituto Português de Naturologia 4A MTC na Prevenção das doenças mentais de raiz emocional excessivo de álcool. Muitos desses comportamentos não saudáveis estão ligados ao aumento do potencial de obesidade. A obesidade e a depressão compartilham sintomas semelhantes, como problemas de sono, comportamento sedentário e ingestão de alimentos compulsiva. Na maior parte são tratados como problemas de saúde separados, muitas vezes levando a maus resultados de tratamento. Indivíduos com depressão atual ou depressão crónica são 60% mais propensos a serem obesos do que aqueles sem histórico de depressão. Algumas pesquisas indicam que a obesidade na adolescência pode levar à depressão na idade adulta, enquanto outros estudos indicam que a depressão na adolescência leva à obesidade na idade adulta (Johnson, 2008, pp. 21–22)

Na doença pulmonar obstrutiva crónica

Vinte por cento dos pacientes com asma e DPOC sofrem de grande depressão e / ou ansiedade (ansiedade generalizada, pânico e fobia), uma taxa que é substancialmente maior do que na população em geral. A depressão e a ansiedade estão associadas à piora dos sintomas respiratórios relatados pelo paciente e à diminuição da função pulmonar. Ataques de pânico, transtornos de ansiedade geral e fobias parecem ser os transtornos de ansiedade mais fortemente associados à asma. Constatou-se que a depressão impede adaptações no estilo de vida que são necessárias para aumentar as taxas de sobrevivência e otimizar a qualidade de vida dos indivíduos que sofrem de doenças respiratórias (Johnson, 2008, p. 20)

No atraso diagnóstico

Outro dos principais riscos associados aos transtornos mentais são a falta de diagnóstico atempado. Os distúrbios mentais não diagnosticados podem afetar a capacidade de uma pessoa de lidar com uma doença e participar eficazmente no processo de tratamento e recuperação. A depressão por exemplo pode causar mudanças que pioram uma condição médica e reduzir a vontade necessária para lidar com mudanças de hábitos e tratamento, criando um ciclo vicioso de agravamento dos sintomas físicos e emocionais (Johnson, 2008, p. 6)

Prevenção

Estes e outros dados juntamente com as recomendações feitas pelas organizações globais de saúde, mostram claramente uma preocupação crescente com um problema em ascensão.

Tendo em conta a importância da saúde mental para o individuo e para a sociedade, e à luz do peso crescente dos custos com a saúde mental, a OMS recomenda que a prevenção e promoção no campo da saúde mental sejam consideradas como uma prioridade de saúde pública em toda a Europa (European Commision, 2004, p. 68).

Torna-se assim necessário encontrar formas mais abrangentes e eficazes na abordagem às doenças mentais. Abordagens que por uma lado se foquem no tratamento mas também na prevenção através de novas estratégias que vão ao encontro da promoção da saúde publica.

No entanto existem algumas dificuldades na aquisição de métodos preventidos. Dificuldades que se expressam num certo laxismo quanto aos hábitos e rotinas só procurando intervir no problema muito tempo depois da manifestação dos primeiros sintomas. Outros obstaculos aparecem na forma de tradições familiares e culturais, ou ainda o hábito de passar para o profissional de saúde a responsabilidade pela recuperação.

A lógica desta ultima está bem presente quando se faz uma comparação entre a percentagem de tempo passado em consulta, e o tempo dedicado ao desenvolvimento de atividades que contribuem para o escalar dos problemas reportados.

As contas são simples: As rotinas clinicas dependem de fatores como o tempo e disponibilidade financeira dos pacientesp or um lado e da disponibilidade dos profissionais de saúde.

Na melhor das hipoteses, se forem consideradas duas consultas por semana, significa que nas 168 horas disponíveis nessa semana o paciente irá passar em consulta duas horas aproximadamente. Isto traduz-se numa percentagem de 1.2% de tempo dispensado à recuperação num contexto clínico que é da responsabilidade do profissional de saúde.

Os outros 98.8% do tempo são normalmente passados em atividades que não contribuem para a prmoção da saúde ou que são fatores diretos ou indiretos para o agravamento crónico dos problemas. Esta relação de tempo não é equilibrada nem capaz de promover os resultados desejados. A prevenção só é possível havendo uma postura de atenção e compromisso para com a saúde por parte do individuo.

O consultório pode e deve ser um palco para esse fim, dando ao paciente as ferramentas necessárias para o fazer sensibilizando-o acerca da necessidade de implementar exercícios e hábitos sadios nas suas rotinas. No capitulo dois do Suwen encontra-se uma passagem que exemplifica bem o espírito preventivo que está presente no ADN da MTC:

“Esperar para tratar até depois que a doença já tenha se desenvolvido ou trazer ordem após desordem já se desenvolveu é comparável a cavar um poço quando alguém está com sede, e lançar uma faca depois que a batalha já foi travada.”

Na prática clínica o tratamento e gestão das emoções é um processo abrangente no sentido mais lato do termo, sendo que o terapeuta trata o paciente, mas o paciente deve assumir o controle pela sua vida e responsabilizar-se pela sua saúde (E Rossi, 2007, Capítulo 1). Isto será melhor aceite se lhe for incutida uma nova visão orientada por uma lógica de causa-efeito e um método para colocar essa visão em prática.

Esse é o objetivo de uma série de práticas que no contexto da cultura médica chinesa receberam a designação de Yang Sheng.

Partilhe este artigo

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on print
Share on email

Marque uma consulta

Faça a sua pré-marcação através do formulário abaixo. Entraremos em contacto consigo para confirmar a data.

Contactos

Este website utiliza cookies para melhorar a sua experiência de utilização deste website. Veja aqui a nossa Política de Privacidade.